05 Março 2007

Cotidiano urbano


Sensações

[E o rapaz sai finalmente daquele aperto no metrô. Emerge para a sua liberdade e ar puro junto ao centro financeiro da maior metrópole do país: Avenida Paulista. Que paisagem maravilhosa! Que encantamento! Todos os prédios, os carros, o asfalto, a multidão, se misturam em uma cena caótica sim, mas maravilhosa.

Quase que fantasticamente, descendo a rua Augusta, rumo à faculdade, o rapaz vê-se surpreendido por uma borboleta que voa pelos carros próxima à calçada. Sua cor ainda é natural. Um mate. Natural, ainda, não se sabe até quando ela resistirá ao concreto dos prédios e ao asfalto das avenidas.]


Televisão




Alguém já parou para refletir o quanto uma certa série de TV chamada 'Malhação' influencia grande parte da juventude? Antes influenciasse beneficamente, do contrário. Ela manipula os pensamentos e as ações da massa jovem brasileira de forma a torná-los extremamente fúteis e insensíveis.

Basta reparar no enredo: um casalzinho com aquela beleza fácil da Rede Globo que se apaixona e sempre tem um outro ou uma outra, ou ambos, revoltados e rebeldes sem causa com a vida para atrapalhar o romance.

Todos estudam em um colégio particular preparatório para o vestibular, localizado no Rio de Janeiro. Ou antes, nos estúdios da emissora. Ora pois, colégio particular no Rio de Janeiro não custa nada barato. Vestibular é o assunto menos comentado. O que comanda são os diálogos vazios e ignóbeis que exacerbam em gírias por vezes exdrúxulas e quase sempre irritantes. Tudo é sempre festa. Tudo está sempre legal e quando está ruim é porque a protagonista chora porque o namorado a traiu, ou quando o galã não tem patrocínio para disputar o campeonato regional de skate.

Poxa, é engraçado notar que nem metade, digo, nem um décimo da população jovem no Brasil partilha dessa doce e frágil realidade.

Agora entendem porque 'Malhação' faz parte do circo financiado pelo sistema dentro da televisão?
Poderia dedicar um Blog a este programa, mas isto seria endossar ainda mais a lavagem cerebral que eles produzem e eu não gostaria de perder meu tempo com tal coisa.

Voltarei a citar 'Malhação' diversas outras vezes, é um tema que dá pano pra manga, tenho que admitir, pena que faça parte da Indústria Cultural do nível mais sujo e degradante.



Música

Admito estar um pouco desatualizado do mundo musical, mas somente na última sexta-feira tive oportunidade de assistir ao novo clip da música "Say It Right" da cantora Nelly Furtado.

Só tenho a aplaudir e a parabenizar pelos novos single e vídeo da artista, afinal a música de sucesso anterior a esta, chamada sugestivamente de "Promiscuous" representou uma total aceitação da cultura de massa musical aos novos estilos black music tão horríveis e novamente vazios e superficiais. Desprovidos de qualquer informação ou aprendizado que se possa louvar.
Neste novo single a cantora retoma às suas raízes com uma melodia intimista e totalmente diferenciada do que se veicula no mercado. O que já significa muito.


O Clip tem uma fotografia admirável, usando muito dos contrastes entre preto e branco até no figurino da artista. Nelly, ainda tem resquícios daquela garota promíscua, mas desta vez bem mais requintada e comportada. Sensual, sem ser vulgar.


Nelly Furtado e seu trabalho faz parte da cultura de massa? Sem dúvidas. Mas tem-se que admitir, que de todas as outras cantoras pop e de toda essa corrente Black Music abarrotada de cordões, cifrões, carros esportivos, piscinas e obcenidades, Nelly ainda se destaca por fazer algo diferente da maioria.










3 comentários:

livia disse...

Tiago,muito bom o seu texto e a lúcida crítica da cultura de massa.O Sistema funciona para fazer cabeças e consumir produtos mantendo o status quo que beneficia um grupo de privilegiados que manterá a posse dos bens superioreas da cultura e tecnologia e do capital(que dá tudo isso).A globo faz parte disso tudo.Malhaçao é a formaçao para os jovesn de hojemadultos de amanhã comerem na maos dos sistema sem criticas.O mundo girando com queremos donos da vida.Infelizmente,tudo ,tudo é feito para isso.Poucos se levantraro coma visao rebelde de um CHE ou Ghandi ou...Imitaçao do vulgar,imbecilizar pelo mediocre,transformar todos e mulas do sistema.Alguem abririrá mao do conforto para salvar o planeta?será mais educado com o proximo para diminuir a violencia?etc...Poucos!a maioria imita a violencia dos filmes,o mudo consumista das novelas e o vazio boboca das patricinhas e iguais.O mundo cego!

Sueli disse...

Ti, (viu que intimidade? nem bem faço um comentário, já me sinto "de casa" ... rs). Está tão lindo seu blog que fiz questão de ir lá no primeiro post para deixar meu comentário. Adorei que você citou a Av.Paulista, pois daqui onde estou posso vê-la de "cabo a rabo" (adoro-a!). Coincidentemente, estou pertinho da Augusta, também. Não posso comentar sobre Malhação pois nunca assisto, mas gostei da dica da cantora Nelly. Inadvertidamente, não a conheço ainda, mas hoje mesmo procurarei conhecê-la. Ando meio devagar com meu blog, pois estou com muitas atividades no momento, mas terei imenso prazer em receber sua visita. Abração!

Tiago Pinto Michiles de Castro disse...

Sueli.

Muito gentil seus dois comentários no meu blog. Primeira vista e já se porta tão a vontade. Isso é bom em dias atuais =D

Agradeço os elogios e isso me motiva a me empenhar mais e mais no aprimoramento da escrita e da leitura.
Infelizmente não consegui acessar seu blog, ele parece ter o perfil bloqueado. Por favor me passe o link da página principal de seus posts e comentarei nele sempre que puder.
E o q falar sobre a a avenida Paulista? Maravilhosa.

Grande abraço